O Observatório Cidadão para Saúde (OCS) apela para a plena utilização da Telemedicina para a redução do tempo de espera nas unidades sanitárias, assim como para a minimização da escassez de informações relativas à saúde nas zonas mais recônditas do país.  

O apelo foi lançado pela Coordenadora do Pilar de Governação do Sistema de Saúde e Regulamentação , Angelina Magibire, na Conferência Nacional sobre o Acesso à Saúde, que teve lugar  semana finda (30 de Junho e 01 de Julho), em Maputo.

“A telemedicina reduz o tempo de espera para o atendimento. Ela  pode ser a solução para redução de filas nas unidades sanitárias”, afirmou a coordenadora, adiantando que “ com a telemedicina pode-se reduzir a distância que o utente percorre para ter assistência, assim como se pode abranger pessoas que residem em zonas mais recônditas.”

Angelina Magibire

Os cuidados médicos para pessoas que residem em zonas recônditas, de acordo com Magibire, podem ser flexibilizados com a telemedicina, expandindo-se o acesso rápido aos serviços de saúde.

“Com a telemedicina reduz-se a distância e as pessoas que menos têm acesso à unidade de saúde podem-se beneficiar”, defende a coordenadora, acrescentando que “entretanto, a telemedicina pode ser negativa, dado que limita o contacto entre o paciente e o profissional de saúde.” 

Por seu turno, o vice-bastonário da Ordem dos Enfermeiros em Moçambique, Grácio Guambe, disse que embora a Telemedicina tenha os seus pontos negativos – no que diz respeito ao contacto humano entre paciente e cuidador – pode ser uma mais valia para o Sistema Nacional de Saúde (SNS) “porque questões que não precisam de ser tratadas directamente com o profissional de saúde. Assim, reduz-se as superlotações e evita-se o desgaste do pessoal médico.”

“Há preocupações que podem ser tratadas ao telefone. Quer dizer, o médico ou enfermeiro pode afectuar o diagnostico e receitar os medicamentos ao telefone”, acrescentou, sublinhando que “a Telemedicina faz parte de um campo maior que se denomina Telesaúde.”

Acesso aos Medicamentos

Outro estudo, apresentado por Pedro Nhanengue, do Pilar de Participação Pública  no OCS, destaca que maior parte das pessoas com deficiência está no sector informal e não tem acesso aos medicamentos essenciais.

“Estas pessoas pertencem ao sector informal e são maioritariamente mulheres”, sublinhou, acrescentando que o acesso aos medicamentos é bastante crítico,” há escassez de todo o tipo de medicamento, excepto paracetamol.”

“As farmácias só têm paracetamol. Outros medicamentos são escassos e isso é bastante preocupante quando se tem em conta as estatísticas e as condição financeira destas pessoas”, argumentou.

Pedro Nhanengue

Sobre o assunto, Benilde Mourana, directora da Cooperativa Luana Semeia Sorrisos, sublinhou que “o problema das pessoas com deficiência não está somente no acesso aos medicamentos, tem também que ver com utensílios para a higiene (fraldas descartáveis), pois estes são bastante caros.”       

Benilde Mourana

Na mesma ocasião, apresentou-se também um estudo sobre a Venda de Medicamentos no Sector Informal, apelando-se para que o Ministério da Saúde seja mais vigilante no controlo dos medicamentos existentes no SNS.     

“Os medicamentos são comercializados no mercado informal. Muitos destes comerciantes não possuem nenhuma formação na área da saúde, mas mesmo assim recomendam medicamentos aos seus clientes”, disse Policarpo Ribeiro, em representação a Médicus Mundi.

“Maior parte destes comerciantes é do sexo masculino e afirma que alguém ligado ao sistema é que tem fornecido o stock”, acrescentou Ribeiro.

Policarpo Ribeiro

A Conferência Nacional sobre o Acesso à Saúde, um evento organizado pelo Observatório Cidadão para Saúde com o financiamento da União Europeia, contou com apresentação de diversos estudos encabeçados por diferentes organizações da sociedade, incluindo da África do Sul e Uganda (estas que se debruçaram sobre Taxas de Usuário). O evento contou igualmente com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Organizações da Sociedade Civil, entre elas PLASOC, Lideranças Comunitárias e público em geral.            

 

     

  

  

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