Uma das marchas dos profissionais de saúde em 2024, na cidade de Maputo.

De greve em greve, os profissionais de saúde querem continuar a pressionar as autoridades para resolverem as reivindicações da classe, mesmo que isso tenha implicação sobre a saúde do povo durante as paralisações. Esta é a primeira vez que o Governo de Daniel Chapo sofre pressão directa dos profissionais de saúde. O facto é que a Associação dos Profissionais da Saúde e Solidariedade de Moçambique (APSUM) deu prazo de 20 dias ao governo para resolver os problemas, mas caso não haja solução admitem paralisar actividades, entre a primeira e segunda semana de Abril.  Para o efeito, o grupo submeteu na quinta-feira, 06.03.2025, aos gabinetes da Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, e do Ministro da Saúde, Ussene Isse, os respectivos avisos e cartas reivindicativas. Ao todo, são 12 pontos que os profissionais de saúde têm estado a reivindicar, tendo alguns sido resolvidos parcialmente durante a governação de Filipe Nyusi. Entre as reivindicações que levam à nova ameaça de greve consta a exigência de pagamento de subsídios de exclusividade e horas-extras, distribuição de uniformes, disponibilização de material médico e medicamentos às unidades sanitárias, além da exigência do fim de cortes salariais descontados em virtude de redução de carga horária laboral para a continuação dos estudos destes profissionais.

O aviso de greve deve-se também ao facto de os profissionais de saúde se sentirem ignorados no programa dos primeiros 100 dias de governação, segundo revelou esta segunda-feira, 10.03.2025, o presidente da Associação dos Profissionais da Saúde e Solidariedade de Moçambique (APSUM), Anselmo Muchave, em entrevista ao Observatório Cidadão para a Saúde (OCS).

“O governo já sabe o que está a acontecer com os profissionais de saúde. Nós demos espaço ao governo para melhorar as condições do sector da saúde. Nós queremos ver o que o governo tem para os profissionais de saúde no plano dos 100 dias de governação. Sentimo-nos ignorados. O governo, por exemplo, interessou-se em iniciar um programa de cirurgias, mas isso não tem impacto sobre o bolso do profissional de saúde “, referiu o presidente da Associação dos Profissionais da Saúde e Solidariedade de Moçambique (APSUM), Anselmo Muchave.

 O actual aviso é mais um novo capítulo que se abre na relação entre os profissionais de saúde e as autoridades, desta vez sob a liderança de Daniel Chapo. Aliás, as reivindicações dos profissionais de saúde não são novas, pelo que na governação anterior já chegaram a paralisar actividades em quatros (04) ocasiões, tendo havido resolução parcial dos problemas. Na época, dezenas de utentes de unidades sanitárias perderam a vida devido à falta de assistência médica durante as paralisações de actividades por parte de profissionais de saúde. 

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