O bloco da maternidade do Hospital Geral José Macamo, na cidade de Maputo, encontra-se temporariamente encerrado para dar lugar às obras de reabilitação, para que as pacientes tenham melhores condições nos serviços de parto.

A reabilitação das instalações – que se caracterizam por um estado de precaridade e imundície – há muito eram esperadas. As mesmas constituíam um atentado para a saúde dos doentes, bem como para a dos visitantes, sendo que os quartos e os balneários encontravam-se totalmente debilitados.

Na verdade, os trabalhos têm lugar numa altura em que circulam, nas redes sociais, imagens ilustrando o estágio de degradação das casas de banho da maternidade do HGJM. As imagens em questão criaram indignação na sociedade, não se apercebendo o porquê de o Governo ter deixado que a situação chegasse a este extremo.

Com vista a apurar a veracidade dos factos e ter algum posicionamento da direcção do hospital sobre a situação, o Observatório Cidadão para Saúde (OCS) visitou o local e constatou que se tratava, de facto, das casas de banho da maternidade em debate.

A directora clínica do Hospital Geral José Macamo, Ermelinda Chamba, confirmou que as fotos ilustravam os balneários da maternidade daquele hospital, tendo sido feitas provavelmente por um utente que não sabia que as mesmas estavam em reabilitação.

“As imagens que circulam nas redes sociais são das casas de banho referentes ao HGJM, sim. Conforme puderam notar, são casas de banho que neste momento não estão em uso, porque nós estamos num processo de reabilitação do hospital. Este processo começou logo no princípio deste mês. Todo o sector da maternidade, neste momento, está fechado para obedecer à reabilitação que vai acontecer”, afirmou a directora.

“Eventualmente, como não tínhamos fechado ainda a área, algum familiar dos pacientes teria entrado nas casas de banho e tirado as imagens que circulam”.

Doentes Transferidos para Bloco de Cirurgia

De acordo com Chamba, enquanto o bloco estiver em obras, todos os doentes da maternidade serão movimentados para o sector de cirurgia e os de cirurgia serão transferidos para o bloco de medicina.

Em princípio, os doentes de medicina serão evacuados para o Hospital Geral de Mavalane, onde vai passar a funcionar toda a enfermaria de medicina.

“Isto é, nos próximos dias, o Hospital Geral José Macamo não irá dispor destes serviços, até que as condições estejam criadas para a sua retoma. Já existem recursos para a reabilitação, não só do bloco em causa, como também de todo o Hospital Geral José Macamo.

Reabilitação Faseada

“Aliás, é uma obra grande que vai acontecer aqui. Em princípio, o que se esperava é que se encerrasse todo o hospital e nós todos fôssemos trabalhar em outros locais. Mas decidiu-se tratar desta questão de forma faseada”, sublinhou.

A directora clínica explicou que os empreiteiros queriam que o hospital fosse encerrado completamente, mas como não é possível “nós optámos por iniciar a primeira fase com a maternidade porque sentimos que é o sector que mais carecia de uma reabilitação”.

Por seu turno, o administrador do Hospital Geral José Macamo, Paulo Domingos, reforçando a informação sobre a reabilitação do edifício, reconheceu a necessidade das obras, alegando que há muito tempo que o hospital não é intervencionado, de 2007 a 2010.

“Já passam mais de 10 anos que o Hospital foi reabilitado e agora temos sectores que já registam infiltrações. Precisam de ser intervencionados”, disse a fonte, para depois acrescentar que “o concurso para a reabilitação deste hospital foi lançado entre Novembro e Dezembro do ano passado. As obras foram adjudicadas à empresa Canol Construções, que já está aqui a preparar o espaço para o efeito”.

Saneamento nas Unidades Sanitárias

Não obstante a reabilitação deste hospital, a situação deplorável dos sanitários em várias unidades sanitárias do país deixa a desejar. Na sua maioria, as casas de banho caracterizam-se pela imundície, criando motivos para que os doentes contraiam outras doenças para além das que as levam ao hospital.

O OCS entende que sanitários condignos constituem elemento básico para o funcionamento de uma unidade sanitária, e não podem constituir risco de contração de doenças. Pressupõe-se que na Unidade Sanitária, os utentes vão em busca de tratamento e não em busca de outras doenças, daí que não se justifica que ainda tenhamos hospitais com sanitários imundos e sem disponibilidade de água.

Numa pesquisa levada a cabo pelo OCS em 2021 sobre a disponibilidade de água e acessibilidade das infraestruturas nas Unidades Sanitárias, com o objectivo de contribuir para o processo de Planificação Pública do sector de saúde, através da avaliação e apresentação do grau de satisfação das necessidades básicas dos utentes e outros seguimentos que se interessam pela melhoria do sector e do Sistema Nacional de Saúde, apurou-se que

50% dos provedores dos serviços de saúde, de um modo geral, consideram como razoável o sistema de saneamento nos hospitais, mas prevalecem desafios que, a médio prazo, poderão ser ultrapassados com recursos humanos capacitados. Ainda assim, dos 50%, 10% consideram muito mau o sistema de saneamento nos hospitais de Moçambique.

Para uma melhor compreensão sobre os dados da pesquisa em alusão, pode-se recorrer ao seguinte site: https://www.observatoriodesaude.org/download/a-disponibilidade-da-agua-e-a-acessibilidade-das-infra-estruturas-nas-unidades-sanitarias/

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