Nome: Paulo Cossa
Idade: 36 anos
Profissão: Enfermeiro
Local de Trabalho: Hospital Geral José Macamo
Paulo Cossa é enfermeiro há onze anos. No seu percurso profissional, teve vários momentos bons, pois salvou muitas vidas. Com os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos ajudou a curar um número incalculável de utentes que se fizeram ao Hospital Geral José Macamo.
Dos utentes salvos pelo enfermeiro, uma parte entrava naquela unidade hospitalar com o rosto ensanguentado e inconsciente. Enquanto isso, outros entravam conscientes e, se contorcendo de dores, depositavam toda a esperança no trabalho do Paulo Cossa. Ele era a única esperança dos pacientes.
“Quando chegam aqui eu lhes transmito confiança. Esta é uma profissão muito nobre”, conta Paulo Cossa.
O profissional afirma que foi por causa do mesmo sentimento de segurança – que sentia quando criança, quando estivesse na presença de um técnico de saúde- que decidiu seguir a carreira de enfermagem.
Naquela altura, Paulo Cossa decidiu que queria transmitir essa esperança, segurança, confiança e tranquilidade aos pacientes. Queria mostrar-lhes que a unidade sanitária é um local onde se pode ter a saúde de volta. Queria, e ainda quer, dar-lhes esperança.
“É impressionante! Quando era mais novo sempre que fosse ao hospital assim que visse um técnico de saúde sentia-me seguro e até mesmo curado. Eles transmitiam essa segurança”, contou.
Naquela altura, Paulo Cossa não sabia a diferença entre um enfermeiro e um médico. Para ele, era, “tudo a mesma coisa.”
“Eram todos iguais, desde que usassem uma batina e tivessem luvas descartáveis.”
“Hoje eu sei as diferenças e sei também que todos eles, tanto o enfermeiro, assim como o médico têm um interesse em comum de salvar vidas.”
Os anos foram passando e Paulo Cossa é enfermeiro no Hospital Geral José Macamo. Lá ele transmite a esperança que um dia recebeu dos técnicos da saúde.
UM DIA SALVAMOS…
Numa manhã, Paulo Cossa deslocou-se ao Hospital José Macamo para levar um documento que esquecera. Estava de férias naquela dia, mas quando chegou ao hospital a azáfama era a de quase todos os dias: ambulância entrando, pacientes de um lado para o outro e o pessoal da saúde.
Havia um paciente que tinha a cabeça ensanguentada. O sangue não parava de sair por consequência de um grave acidente de viação. “São os casos mais comuns aqui neste hospital”, conta, acrescentando que aquele paciente estava consciente e agitado.
“Ele via que o sangue não parava de sair. Talvez pressentisse a morte”, lembrou. Mas o medo não era apenas do paciente. Os colegas de profissão do Paulo Cossa estavam também assustados devido a hemorragia. “Devia ter atingido um veia extremamente importante”, explica.
Quando os técnicos da saúde viram o Paulão, como carinhosamente é tratado, desesperados chamaram-no, “Colega. Ajuda-nos!” Imediatamente Paulo, que estava de férias, vestiu a batina branca, desinfectou as mãos e usou as luvas descartáveis e pegando no material cirúrgico iniciou com a cirurgia. À primeira o sangue estancou-se.
“Este foi um dos melhores dias da minha vida profissional. Os colegas aplaudiram. Este sentimento de salvar vidas é indiscritível. É lago único”
À ENTRADA DO HCM O DEONTE PERDEU A VIDA MAS NÃO DESISTO DA PROFISSÃO
Os dias de trabalho de um enfermeiro não são feitos apenas de momentos bons. Há dias menos bons em que o Paulo Cossa não conseguiu salvar o paciente e até hoje um desses momentos ainda o persegue.
“Chegou aqui um paciente que sofreu um acidente de viação. Recebemo-lo e iniciamos com a cirurgia. Não tínhamos, infelizmente, o material necessário, por isso o enviamos para o Hospital Central de Maputo.”
A estrada usada até ao HCM estava um caos, “mesmo estando nós numa ambulância. No máximo, levamos entre sete a dez minutos do José Macamo até ao Hospital Central.”
À entrada do HCM, recorda Paulo, o paciente perdeu a vida.
“Fiquei chocado. Se tivéssemos esse material aquela vida teria sido salva. Dez minutos foram e são muitos. Imaginem se aqui na cidade de Maputo as pessoas morrem por falta de material , quanto mais em outros distritos e nas zonas recônditas”, lamentou.
Mesmo com esses momentos Paulo Cossa diz que nunca vai desistir da profissão.
“Eu me orgulho do meu trabalho. É uma profissão nobre. Quero transmitir essa esperança às pessoas.”