A falta de segurança no Hospital Provincial de Maputo (HPM) – que se caracteriza pela ausência  de um portão e pessoal de segurança – apoquenta os usuários dos serviços de saúde, sendo o roubo de bebés e entrada de malfeitores principal preocupação. 

A insegurança, naquele local, apoquenta igualmente as comunidades residentes arredores que, no passado, acompanharam um caso que envolve um  bebé recém-nascido roubado da própria mãe.

“O caso foi, na altura, esclarecido pelas autoridades policiais, mas a preocupação prevalece pela falta de um portão”, afirma o presidente do Comité de Qualidade e Humanização, Carlos Buque, falando à margem da Reunião de Avaliação dos Serviços Prestados naquele hospital.

De acordo com a directora do HPM, Paula Rodrigues, está em curso um trabalho para a busca de financiamento para a instalação de um sistema de segurança que possa responder aos actuais problemas que se fazem sentir.

“Temos a consciência da falta de segurança no nosso hospital, o que permite a entrada e saída de pessoas estranhas. Na reunião passada que tivemos com o Comité de Qualidade e Humanização, falámos sobre a falta de financiamento para a resolução deste problema”, explicou Rodrigues, adiantando que “enquanto não houver financiamento para a implantação de um portão e contratação de um guarda, colocaremos barreiras para impedir a entrada de pessoas mal-intencionadas.”

A comunidade, através do  Comité de Qualidade e Humanização, manifestou igualmente o seu descontentamento  para com as contínuas denúncias atinentes a cobranças ilícitas nos serviços de maternidade.

Diante desta situação, o Observatório Cidadão para Saúde (OCS), que participou da reunião em alusão, entende ser inconcebível que um hospital, de categoria provincial como se não bastasse, careça de um sistema de segurança ou um mecanismo de registo de pessoas que entram e saem do mesmo. Defende, deste modo, haver urgência na colocação de um portão para garantir a segurança dos cidadãos que acedem os serviços de saúde naquele hospital.

Tempo de espera para o atendimento reduz

Exceptuando os problemas em alusão, o Comité de Qualidade e Humanização defende que “ se tem trabalhado para se garantir um atendimento melhorado aos cidadãos. Há melhorias na prestação de serviços naquele hospital.”

As melhorias registam-se na redução do tempo de espera no atendimento e os serviços de maternidade, por sua vez, têm estado limpas e devidamente arrumadas para receber as parturientes.

A introdução do protocolo de Manchester, uma Plataforma electrónica para regular as filas de espera, bem como a interação que este hospital vem tendo com a comunidade, através do Comité de Qualidade e Humanização, são alguns dos promotores destas mudanças que são um ganho para o próprio paciente.

O Hospital Provincial de Maputo vinha sendo alvo de críticas e denúncias directamente ligadas à morosidade no atendimento, à violência obstétrica, à corrupção nos serviços de maternidade, entre outras.  

No terreno, a equipa do OCS constatou que o HPM tem registado poucas enchentes nas filas de espera, assim como observou que as camas para as parturientes estavam limpas e organizadas.

“De uns tempos para cá, o tempo que os pacientes esperam para o atendimento baixou e as denúncias, em relação às cobranças ilícitas na maternidade, reduziram”, disse presidente do Comité de Qualidade e Humanização, Carlos Buque, manifestando preocupação pela falta de segurança no hospital.  

“Desde que começamos o nosso trabalho de fiscalização, neste hospital, os serviços na maternidade melhoraram bastante. Antigamente, recebíamos muitas denúncias de mau atendimento e cobranças ilícitas, o que já não acontece com tanta frequência, o que nos leva a dizer que estamos a caminhar rumo a uma prestação de serviços mais humanizados”, anotou.

Foi introduzido, adiantou Buque, um livro de reclamações onde os pacientes poderão colocar as suas inquietações sobre qualidade de atendimento.

“O Comité propõe a implementação do parto humanizado, através da assistência por parte da pessoa que acompanha a parturiente”, acrescentou Buque.

A directora do hospital reconhece a intervenção do Comité para o alcance de resultados positivos.

“Para nós, é um grande ganho porque conseguimos estar unidos para alcançar estes objectivos, sempre com apoio da comunidade. Eles vinham dizendo onde estamos a falhar e o que tínhamos que melhorar e, com isso, fomos ultrapassando as nossas diferenças e barreiras”, vincou.     

No encontro, o OCS fez saber ao hospital que possui um pacote de formações que visa treinar comités de qualidade e humanização. É igualmente interesse do OCS, capacitar o Hospital Provincial de Maputo, para que este seja modelo na gestão de saúde. Aliás, no âmbito das suas actividades, o OCS tem vindo a levar a cabo pesquisas, campanhas, formações sobre a necessidade de se melhorar a prestação de serviços de saúde em Moçambique.

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