Um dos grandes problemas que os utentes e usuários dos serviços de saúde enfrentam, tem a ver com a falta de medicamentos, até para tratar doenças mais comuns, nas unidades sanitárias do país. Este, que foi um dos principais pontos apresentados no caderno reivindicativo da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) no decurso da greve que levou a cabo, constitui um dos principais calcanhares de Aquiles no Sistema Nacional de Saúde (SNS) em Moçambique.

Apesar do Governo, através do ministro da Saúde, Armindo Tiago, tentar minimizar a situação, fazendo acreditar a existência de fármacos suficientes no país a nível dos depósitos centrais, o cenário, nos hospitais, mostra o contrário.

O mais comum, é que em cada receita que o paciente recebe do técnico de saúde para adquirir os medicamentos, pelo menos há sempre falta de um fármaco nas farmácias internas das unidades sanitárias, conforme atestam algumas receitas de pacientes que foram interpelados pelo Observatório Cidadão para Saúde (OCS).

Conforme se pode denotar na receita azul, o comprimido que faltou para a paciente, é albendazol, um medicamento antiparasitário de uso oral, indicado para tratar uma grande variedade de condições causadas por vermes ou parasitas. Em linguagem comum, o comprimido serve para a desparasitação.

Este medicamento, na farmácia de uma unidade sanitária pode ser comprado a preço de 5,00 meticais, mas numa farmácia de fora, o mesmo chega a custar 50,00 meticais, o que as vezes acarreta custos adicionas na sua aquisição para as famílias mais desfavorecidas, uma vez que chega a custar dez vezes mais que o preço praticado nas farmácias públicas, empurrando estas famílias á despesas catastróficas e empobrecedoras.

Numa das receitas amarelas, o medicamento que não foi encontrado pelo paciente na farmácia, é Cetoconazol Pomada, um medicamento dermatológico utilizado para tratar infecções de pele causadas por fungos ou leveduras, como micoses, frieira e pano branco. Este fármaco, nas farmácias fora do hospital varia entre 120 a 430 meticais, dependendo de cada farmácia.

Outro fármaco não encontrado na unidade sanitária se trata de Fenoximetilpenicilina, medicamento indicado no tratamento de infecções leves a moderadas causadas por microrganismos sensíveis. 

Em farmácias de fora pode ser adquirido a 150 até 230 meticais.

Na última visita efectuada pelo ministro da Saúde ao armazém central de medicamentos, localizado no Zimpeto, na cidade de Maputo, que até mereceu cobertura jornalística, Tiago garantiu que havia um stock suficiente de fármacos para administrar os pacientes. Na ocasião mostrou caixas supostamente cheios de medicamentos para diferentes patologias.

Leia aqui: https://opais.co.mz/profissionais-de-saude-chamam-ministro-de-irresponsavel-e-prolongam-greve-por-30-dias/

No entanto, na tal visita, o ministro não esclareceu ao povo porque estes fármacos não estão onde deviam estar, que é numa unidade sanitária.

O OCS constatou que mesmo depois desta afirmação de Armindo Tiago, os comprimidos continuam escassos nos centros de saúde do país, o que revela duas possibilidades, ou naquelas caixas não haviam medicamentos, ou há um esquema de desvio de fármacos que verdadeiramente precisa de ser desvendado e que provavelmente envolve pessoas do sector de saúde.

Neste contexto, o Observatório Cidadão para Saúde insta o Governo, concretamente o Ministério da Saúde (MISAU) a esclarecer porque as unidades sanitárias continuam a enfrentar escassez de medicamentos, inclusive essenciais, quando supostamente o armazém de Zimpeto, está cheio de fármacos que o ministro apresentou a imprensa.

Por outro lado deve melhorar suas comunicações públicas de informe aos moçambicanos sobre questões importantes que afectam e criam impacto na vida dos utentes e usuários de serviços de saúde, principalmente quando estamos diante de um cenário que traz indicadores de crise a nível da rede publica de saúde.

È crucial que o Governo recupere a confiança dos moçambicanos em relação aos seus discursos e pronunciamentos públicos com vista a devolver a esperança a milhões de utentes que ainda tem como referencia o serviço publico de saúde para cuidar, tratar e recuperar das patologias que os enfermam. (OCS)

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