Introdução

A pergunta acima resulta, em parte, dos pronunciamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), como referido anteriormente, quando a mesma afirma que parte significativa dos novos casos de Covid-19 não é capturada pela testagem, sobretudo em países em vias de desenvolvimento grupo no qual as  Nações Unidas  destacam os países pertencentes ao  continente africano, fonte  revela que  os pronunciamentos da OMS estão por detrás do ultimo a mais forte relaxamento das medidas de confinamento na vizinha África do Sul de tal formas que fonte  refere que, neste pais infectados sem sintomas já não têm de ficar isolados e os sintomáticos ficam apenas 7 dias, não mais 10 como antes. Por outro lado, a questão tem que ver com a forte relação directa entre novos casos e novos testes em Moçambique. Os gráficos abaixo mostram que, em termos de evolução, os novos casos têm um comportamento quase idêntico aos novos testes. Esta relação sugere algumas possibilidades, a saber:

Gráfico 2: Evolução de número de casos de testes de Covid-19

Fonte: elaborado pelo OCS com recurso a dados extraídos de  Our World in Data ( https://ourworldindata.org/coronavirus)
Os gráficos abaixo reforçam a relação estreita entre os novos casos e novos testes, evidenciando que as duas variáveis encontram-se no mesmo plano. O gráfico ao lado, todavia, questiona a possível  elevada capacidade de rastreio, mostrando que a taxa de positividade oscila de forma significativa revelando que a capacidade de rastreio deveria resultar da estabilidade desta taxa. Numa situação de melhoria desta capacidade, a taxa de positividade deveria aumentar reflectindo à eficiência dos rastreios.

Pode-se observar igualmente que o número de testes, por caso, oscila bruscamente, ou seja, por vezes, precisa-se levar a cabo mais de 300 testes para se identificar um caso positivo e, noutros momentos, menos de 10 testes, sem, no entanto, apresentar-se uma tendência clara. O facto de o número de testes não mostrar uma tendência de redução reforça a ideia de que há captura de poucos casos com base no rastreio, assim como observa-se a inexistência de evidências empíricas sobre a melhoria deste aspecto.

Gráfico 3: Evolução do número de casos, taxa de positividade e número de testes por caso de Covid-19.

Fonte: elaborado pelo OCS com recurso a dados extraídos de  Our World in Data ( https://ourworldindata.org/coronavirus)

A informação acima mostra-se sustentável quando comparada à situação de Moçambique com países de elevada capacidade de testagem no mundo (Vide o mapa a seguir), na medida em que esta revela que, de facto, Moçambique tem uma capacidade de testagem relativamente baixa, ou seja, existem poucos testes, assim como o número de casos confirmados por teste são dispersos au longo do tempo e relativamente baixo em relação a maioria dos países do mundo. Este resultado revela pouca eficiência, resultante da falta de capacidade de rastreio de casos de Covid-19 em Moçambique.  

Mapa 1: Médias de número de  casos por teste no mundo.

Médias de novos testes diários de Covid-19 por 1.000 pessoas.Médiade novos casos confirmados diários de  Covid-19por milhão de pessoas testadas.

Fonte:  Adaptado pelo OCS de Our World in Data ( https://ourworldindata.org/coronavirus)

Conclusões e Recomendações

Esta análise foi feita como um esforço para promover o debate relativo a eficácia e eficiência do processo de testagem no combate a propagação da Covid-19, foi avaliada a capacidade de testagem a nível nacional e a eficiência deste processo com base na capacidade de rastreio de potenciais casos, assumindo que esta capacidade resulta em maior representatividade estatística dos resultados da testagem o que confere embasamento empírico mais realístico para que esta gere resultados efectivos.

Da presente análise, constata-se que, para além da limitada quantidade de vacinas, a capacidade de rastreio de potenciais casos positivos em Moçambique mostra-se limitada. A limitação em alusão dificulta a capacidade de resposta aos dados referentes à evolução da pandemia, perigando a racionalidade das decisões de políticas tomadas com base nestes dados, assim como o desperdiço de testes.

Desta feita, recomenda-se maior investimento na capacidade de rastreio da Covid-19, de modo que se possa atribuir maior representatividade estatística aos resultados como indicadores da evolução da pandemia e racionalização no uso dos testes para a melhoria da  resposta à pandemia, originando-se ganhos no tratamento.

[1] https://www.observatoriodesaude.org/testes-da-covid-19-vendidos-a-1-500-meticais-nos-hospitais-publicos/

[2] https://www.opais.co.mz/covid19-ha-fragilidades-no-rastreio-e-acompanhamento-de-casos-suspeitos-no-pais/

[3] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57163793

[4] https://news.un.org/pt/story/2020/03/1707472

[5] https://www.reuters.com/article/saude-coronavirus-oms-testesamplos-idBRKBN25N2JG-OBRWD

[6] https://news.un.org/pt/story/2022/02/1779432

[7] https://cnnportugal.iol.pt/coronavirus/novas-medidas/covid-19-africa-do-sul-descarta-isolamento-para-infetados-assintomaticos/20440202/61fa48df0cf21a10a41d02ab

[8] https://cnnportugal.iol.pt/coronavirus/novas-medidas/covid-19-africa-do-sul-descarta-isolamento-para-infetados-assintomaticos/20440202/61fa48df0cf21a10a41d02ab

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.