Utentes e doentes do Hospital Rural de Songo, na província de Tete, centro de Moçambique, são proibidos de ter acesso aos cuidados médicos de saúde quando se fazem a este centro hospitalar sem um comprovativo do teste contra a Covid-19.

A informação chega ao Observatório Cidadão para Saúde (OCS), através de uma denúncia efectuada por um utente na quarta-feira da semana em curso. O denunciante afirma que se descreve, no local, um cenário de desordem.

“Eu vim cá para levantar uns documentos de análise. Contudo, surpreendo-me, à entrada, com a recção do guarda, afirmando que eu não podia entrar sem que tivesse apresentado um comprovativo de teste contra o Covid-19”, conta um utente, que preferiu anonimato por temer represálias.

Fora da unidade sanitária, estavam mais utentes indignados com a situação, descreve o denunciante.

De acordo com o denunciante, o cenário mostra-se plenamente desordenado, “as pessoas ficavam aglomeradas, entre doentes e acompanhantes, fora do hospital e a condenar esta medida”, disse.

Segundo a fonte, a medida foi oralmente tomada pela direcção do hospital, uma vez que inexiste um comunicado afixado nas vitrinas.

“Só consegui entrar porque um técnico de saúde explicou ao guarda que eu fizera o teste dias antes. Caso contrário, eu não teria acesso ao hospital”, lamentou.

Além dos testes rápidos, os testes normais da Covid-19 têm a duração de, no mínimo, três dias para que se tenha o resultado – o que quer dizer que a prevalência desta postura pode gerar sérios riscos de vida, na tentativa de se preservar a saúde.

O OCS entrou em contacto com a directora do Hospital Rural de Songo. Em forma de justificação, a directora disse “que há muitos casos da Covid-19 aqui e, por isso, decidimos tomar esta medida. E, de facto, quando fazemos os testes, temos vários casos positivos.”

Serviço Provincial de Saúde condena a postura e promete se inteirar melhor

A directora do Serviço Provincial de Saúde de Tete, Carla Mosse Lázaro, em contacto com o OCS, explicou que essa decisão deve ter sido tomada a nível do Hospital Rural de Songo, sem nenhum contacto com o Serviço Provincial de Saúde.

“Esta é uma decisão errada e estou sendo informada por vocês. Lamentamos essa postura, iremos contactar aquela unidade sanitária para ouvir deles a razão desta decisão”, disse.

Dia depois das declarações da directora, o Serviço Provincial de Saúde contactou o OCS afirmando que “não há proibição do acesso, mas que pode ter havido uma má interpretação do guarda.”

Uma Proibição desconhecida que somente vigora em Songo

O OCS teve acesso à nota usada pelo Hospital Rural de Songo para tomar a decisão de proibir as pessoas ao acesso à saúde. O documento foi emitido pelo Ministério da Saúde (MISAU), através da Assistência Médica, com o intuito de combater e garantir a mitigação do vírus.

Datada de 24/06/2021, a nota 1784/130/DNAM/2021, que se debruça sobre várias medidas de prevenção e mitigação da Covid-19, tal como o uso da máscara e o distanciamento social no recinto hospitalar, prevê “a restrição e controlo de pessoas nas unidades sanitárias”, na sua primeira alínea.

Este foi o princípio que norteou a medida do Hospital Rural de Songo, apesar de a mesma ter sido mal interpretada a ponto de se proibir pacientes e utentes de ter acesso aos serviços em função da apresentação de um comprovativo de teste contra a Covid-19.

No presente mês de Janeiro, em toda a província de Tete, as autoridades de saúde ainda não registaram 500 pessoas que tenham testado contra Covid-19.

Tendo levado a cabo uma pesquisa em alguns hospitais, o Observatório Cidadão para Saúde (OCS) constatou que nota que proíbe pacientes e utentes de ter acesso aos serviços em função da apresentação de um comprovativo de teste contra a Covid-19 vigora apenas no Hospital Rural de Songo.

Para casos de denúncias, pode fazê-lo através do +258 855 348 199, por meio de chamada ou Whatsapp, ou mesmo através do facebook Observatório do Cidadão para Saúde.

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