– falta de medicamentos até para tratar doenças mais comuns, luvas, máscaras, seringas e agulhas, cateteres, combustível nas ambulâncias para transportar os doentes, entre as reivindicações da classe…

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), acaba de anunciar, mais uma vez, a retoma da greve, alegadamente porque o Governo não honrou com a sua palavra de melhorar as condições de trabalho desta classe e de atendimento dos utentes em todo o Sistema Nacional de Saúde (SNS).

A greve, a se materializar através da paralisação de actividades, vai iniciar no dia 29 de Abril do ano em curso, por 30 dias prorrogáveis e abrangerá todos os cerca de 70 mil associados à escala nacional, conforme anunciou a porta-voz da APSUSM, Rosana Zunguze, numa conferência de imprensa que visava dar o ponto de situação das negociações.

A APSUSM vem desde os princípios de 2023 a dialogar com o Governo com vista a solução das exigências constantes do seu caderno reivindicativo, processo este que culminou com uma trégua que ia até Novembro do mesmo ano, em que suspendeu a greve.

A associação diz que esperava que neste período as suas reivindicações fossem resolvidas, o que não aconteceu, tanto que o grupo resolveu anunciar uma outra data para a paralisação das actividades, que iniciaria no dia 28 de Março de 2024.

Mais uma vez, o Executivo apareceu para inviabilizar a intenção desta classe, ao fazer novas promessas e garantido que desta vez responderia as suas reivindicações.

Disse na altura,  o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, que o Governo, no que concerne ao pagamento de horas extras, assumiu que estas e os turnos referentes aos anos de 2022 e 2023 foram pagos a uma percentagem de funcionários, ficando por pagar outra percentagem equivalente a cerca de 5 mil funcionários. Entretanto, o Executivo comprometeu-se a pagar a este grupo restante num prazo de 30 dias, o que não aconteceu.

O executivo prometeu, também, incrementar a compra e importação de medicamentos e artigos médicos (luvas, seringas, fios de sutura, gesso, máscaras, aventais de borracha, equipamento para as lavandarias dos hospitais centrais e gerais, mobiliário hospitalar, entre outros).

Leia esta notícia aqui: https://www.observatoriodesaude.org/greve-dos-profissionais-de-saude-suspensa-por-tempo-indeterminado/

No entanto, na conferência de imprensa desta quarta-feira (24.04), a APSUSM veio referir que infelizmente as unidades sanitárias estão piores que no início do diálogo.

Segundo Rosana, não há medicamentos até para tratar as doenças mais comuns, luvas, máscaras, seringas e agulhas, cateteres, papel para imprimir documentos hospitalares e resultados de análises laboratoriais, regentes de laboratório, combustível nas ambulâncias para transportar os doentes, comida para os doentes e roupa hospitalar para as camas, sendo que algumas vezes os utentes ou seus familiares são obrigados a trazer das suas casas, estes itens.

Igualmente, disse que há diariamente aumenta o número de unidades sanitárias sem electricidade resultante dos cortes efectuados pela Electricidade de Moçambique em decorrência das dívidas não pagas de energia.

“É notório o total desinteresse do Governo em suprir os cuidados de saúde dignos à população. Achamos nós que esta falta de compromisso se pretende com o facto dos dirigentes quando são acometidos por problemas de saúde recorrerem a clínicas privadas de saúde dentro e fora do país e infelizmente o pacato cidadão, sem tais privilégios, fica entregue a sua própria sorte.”, sublinhou.

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique defende que o direito à cuidados de saúde condignos não é um favor, constitui um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e económicas que visem à redução do risco de doenças e de outos agravos e ao acesso universal e igualitário às acções e serviços para sua promoção, protecção e recuperação.

Constituem outras promessas que o Governo se propôs a resolver em 2023, mas que persistem, o apetrechamento dos blocos operatórios, com destaque para o do Hospital Provincial de Maputo e de Xinavane; a disponibilização de uniformes de trabalhos para os profissionais de saúde; correção de irregularidades no enquadramento previsto na Tabela Salarial Única (TSU) de todos os profissionais de saúde dos regimes específico e geral; aumento do subsídio de risco dos 5% previstos na TSU para 10% sendo aplicável a todo sector da saúde; e o pagamento do subsídio de turno e horas extras.

“Quanto a correção das irregularidades e aumento dos subsídios, o Governo usou a regra dividir para reinar, pois pagou a apenas um grupo de funcionários em detrimento de todos”, concluiu reiterando que a APSUSM vai continuar a lutar para que haja melhores condições de trabalho em todas as unidades sanitárias do país, nem que isso signifique recorrer a greve, que não é sua vontade.

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