É sabido que o sector da saúde em Moçambique, à semelhança doutros sectores vitais para o desempenho do Estado, tem enfrentado diversas dificuldades para o seu funcionamento, com destaque para a falta de material médico-cirúrgico, medicamentos para os utentes e outros insumos essenciais para o trabalho normal das unidades sanitárias. Nos últimos dois anos, as associações médica e dos profissionais de saúde têm reivindicado a melhoria de condições de trabalho, o que inclui o melhoramento das infraestruturas e disponibilização de equipamento para que possam prestar bons serviços aos utentes e usuários do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Para piorar, as chuvas que caíram nas últimas semanas na cidade e província de Maputo agudizaram aquilo que é o acesso aos serviços de saúde para vários moradores desta região do país.

A título de exemplo, na Matola Gare, na província de Maputo, a provisão dos serviços de saúde continua condicionada, pois o centro que garante o atendimento da comunidade daquele bairro e outros circunvizinhos, ainda se encontra encerrado por estar totalmente inundado, não oferecendo condições para receber utentes.

Aliás, inclusive o pessoal da saúde que lá trabalha teve que ser desalojado por conta das inundações. Neste momento, os serviços de saúde são garantidos através de uma clínica móvel montada no campo do bairro, com a particularidade de que esta oferece apenas serviços mínimos.

Outro porém relatado pelos moradores da Matola Gare é que a clínica móvel só abre a partir das 9:00 horas da manhã, forçando os utentes a ficar horas a fio em pé enquanto esperam a sua abertura, visto que não há bancos no local.  

Falam de grandes limitações para aceder aos serviços, uma vez que a clínica móvel não atende a todos casos de doença que lá chegam.

Problema requer resposta multissectorial

O Observatório Cidadão para Saúde (OCS) entende que falta, por parte das entidades governamentais, um plano de contingência robusto para fazer face aos impactos destes fenómenos, uma vez que sempre que chove a situação que se verifica é a mesma.

O Governo devia olhar para este problema de forma mais holística, uma vez que este não é novo e já foi identificado. Significa que precisa de uma resposta multissectorial envolvendo os vários actores como os Municípios, para a solução, não só do problema do Centro de Saúde da Matola Gare, mas também de outras realidades que se verificam ao nível do Sistema Nacional de Saúde para fazer face a um dos principais determinantes socais de saúde, que é o saneamento de meio.

Esta situação acontece também em uma altura onde o surto da cólera ganha contornos face as chuvas extremas que o pais tem registado, mas por outro lado temos um Plano de combate e controlo da cólera que ainda não esta responder aos desafios actuais da forma como seria desejável, e este aspecto pode estar relacionado com o problema de governação no sector de saúde.

Portanto, todos estes aspectos tem impacto directo na vida do cidadão e também de muitos Centros de Saúde que enfrentam desafios na oferta de serviços sempre que chega a época chuvosa, inclusive sobre os próprios casos de cuidados e tratamento da cólera que tem estado em alta neste período.

A questão das inundações no Centro de Saúde da Matola Gare é por si só um problema de saúde pública, pois com as águas acumuladas há maior probabilidade de aparecimento de várias doenças, como a malária e as diarréias.

Neste contexto, o OCS defende que mesmo depois da água secar no centro, antes que se reabra, é preciso que se faça um trabalho de desinfecção para evitar que os utentes saiam de lá com outras doenças. (OCS)

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