A esquerda, Napoleão Viola da AMMM e a direita, Gilberto Manhiça da OMM

A Ordem dos Médicos de Moçambique e a Associação Médica de Moçambique apelam aos gestores do sector da saúde a reforçarem equipas e artigos médicos  de modo a garantir melhores condições de atendimento aos utentes, com destaque para as possíveis vítimas das manifestações populares.

Assim, as duas organizações defendem que a crise que sector atravessa não deve ser  usada como pretexto para negar atendimento digno aos manifestantes que necessitarem de qualquer ajuda médica, independentemente das razões do seu envolvimento nos protestos e de filiações partidárias. Estas considerações foram feitas, na terça-feira, dia em que os médicos revelaram que foram, em várias unidades sanitárias do país, atendidas 73 pessoas vítimas de armas de fogo, tendo 10 pessoas perdido a vida na sequência do agravamento do estado clínico.

As manifestações populares pós-eleitorais estão a repercutir, sobretudo por causa do seu impacto sobre vários serviços e segmentos da sociedade. O sector da saúde, por exemplo, está entre os que sofrem o impacto, sobretudo os hospitais que devem atender pacientes, mesmo estando com limitação de profissionais devido a dificuldades de mobilidade durante as manifestações.

Preocupadas com a situação, a Ordem dos Médicos de Moçambique, bem como a Associação Médica de Moçambique decidiram se pronunciar sobre o assunto esta terça-feira, 29.10.2024, numa conferência de imprensa, ocorrida na cidade de Maputo. Na ocasião, as duas organizações defenderam a necessidade dos gestores do sector da saúde melhorarem as condições de trabalho, através do reforço  das equipas de profissionais de saúde, artigos médicos nas unidades sanitárias com vista a responder, pontualmente, às necessidades de atendimento no contexto das manifestações populares que tem vindo a assolar o país.

Para o Bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique, Gilberto Manhiça, a prevenção em termos de criação de condições de trabalho deve ser uma prioridade das autoridades do sector da saúde, independentemente das razões das manifestações populares. Aliás, a situação da crise de meios no sector de saúde não deve ser  usada como pretexto para negar criação de condições para o melhor atendimento aos manifestantes, segundo defende Manhiça.

“O mais importante é termos a capacidade de  reagir perante qualquer necessidade de intervenção médica. Não faz sentido ter compatriotas nossos, vítimas das manifestações e não atendermos alegadamente porque os meios são para outras prioridades”, referiu o Bastonário da Ordem dos Médicos, Gilberto Manhiça.

Por sua vez, o  presidente da Associação Médica de Moçambique, Napoleão Viola, apela para maior disponibilidade dos médicos para o atendimento de qualquer paciente que seja vítima  do contexto das manifestações populares independentemente da razão do seu envolvimento e da sua filiação partidária.

Médicos Denunciam morte de 10 Pessoas pela PRM

A Ordem dos Médicos de Moçambique, bem como a Associação dos Médicos de Moçambique estão a fazer monitoria paralela do impacto das manifestações populares sobre o sector da saúde. É neste contexto que estas duas agremiações anunciaram o atendimento, entre os dias 18 e 26 do mês em curso, em diversas unidades sanitárias do país, de 73 pessoas vítimas de ferimentos por arma de fogo.

Deste número, 10 pessoas morreram devido à gravidade dos ferimentos infligidos  por balas. Dos feridos, alguns viverão com sequelas para sempre, o que vai impactar sobre suas vidas e/ou de seus familiares. Olhando para o impacto dos ferimentos infligidos às vítimas que morreram, o presidente da Associação Médica de Moçambique, Napoleão Viola, não tem dúvidas de que a intenção da Polícia era disparar para alvejar fatalmente, o que agrava ainda mais a violação dos direitos humanos. Consta que a maioria das vítimas de baleamento é da cidade e província de Maputo e acredita-se que o número pode ser ainda maior.

“O número das vítimas de baleamento pela PRM pode ser maior, se olhar para a possibilidade de algumas vítimas não terem dado entrada nas unidades sanitárias em todo o país”, disse Viola, acrescentando que “é responsabilidade de todos a preservação da vida”.

Nesta sequência, o presidente da Associação Médica de Moçambique apela às Forças de Defesa e Segurança a pautarem pelo não uso de força desproporcional sobre quaisquer cidadãos durante as manifestações populares. Por outro lado, Viola apelou aos manifestantes a não pautarem por meios violentos na manifestação da sua insatisfação sobre a governação.

Refira-se que as manifestações em curso acontecem na sequência do assassinato a tiro do assessor jurídico do político Venâncio Mondlane e  do mandatário do partido PODEMOS, Elvino Dias e Paulo Guambe, respectivamente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Banco Nedbank Moçambique

Nº de conta: 00024061001

Moeda: MZN

NIB: 004300000002406100148

IBAN: MZ59004300000002406100148

SWIFT: UNICMZMX

Banco Nedbank Moçambique

Nº de conta: 00024061110

Moeda: USD

NIB: 004300000002406111012

IBAN: MZ59004300000002406111012

SWIFT: UNICMZMX