A pandemia da Covid-19, num passado recente, assolou o mundo, causando a morte de milhares de pessoas. Em Moçambique, de acordo com dados tornados públicos pelo Ministério da Saúde (MISAU), a doença esteve por detrás da morte de 1.976 cidadãos.

A pandemia colocou em causa o Sistema Nacional de Saúde (SNS), mostrando que este carece de capacidades para actuar em momentos de crise, tal como se pode observar numa pesquisa levada a cabo pelo Observatório Cidadão para Saúde (OCS), (Leia aqui: https://www.observatoriodesaude.org/covid-19-provou-que-o-governo-nao-esta-preparado-para-lidar-com-crises/).

No seu pico, a Covid-19 mostrou que o SNS não possui pessoal médico suficiente para actuar em tempos de emergência, assim como provou que as infra-estruturas disponíveis não oferecem condições adequadas para o internamento de um elevado número de doentes ao mesmo tempo. Assim sendo, assistiu-se a uma situação de colapso das unidades sanitárias, como resultado da incapacidade de responder a emergências. (Leia aqui: https://www.observatoriodesaude.org/covid-19-provou-que-o-governo-nao-esta-preparado-para-lidar-com-crises/).

Para minimizar os impactos da Covid-19, o Governo buscou, na altura, parcerias para angariar fundos para a aquisição de vacinas, instalação de sistemas de abastecimento de água e os respectivos equipamentos para a lavagem das mãos em vários locais públicos. No entanto, não foi possível evitar (embora Moçambique tenha registado um baixo número de mortes comparativamente a diversos países) a contaminação e a morte de muitas pessoas por esta doença.

De acordo com uma pesquisa do OCS, realizada entre Junho e Novembro de 2020,  a epidemia da Covid-19 agudizou a falta de qualidade do Serviço Nacional de Saúde. O estudo indica que existem vários factores que contribuíram para a depreciação da qualidade dos serviços públicos de saúde, assim como manifestara-se a indisponibilidade de diversos serviços no sector, nomeadamente: a falta de condições da infra-estrutura hospitalar, a degradação das condições de saneamento, a escassez de medicamentos, assim como manifestou-se a faltou de salas móveis para rastreio e monitoria clínica de novos casos epidemiológicos.

Por outro lado, o processo de vacinação contra a Covid-19 evidenciou o quão o Governo moçambicano não estava preparado para lidar com emergências sanitárias, através do desenho de planos estratégicos e concretos para fazer face à pandemia, tendo em consideração a priorização de grupos prioritários para a vacinação. (https://www.observatoriodesaude.org/unidades-sanitarias-continuam-a-excluir-activistas-de-saude-na-testagem-e-vacinacao-contra-covid-19/).

Nos últimos dias, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado as comunidades sobre uma possível pandemia que deriva da Covid-19, embora mais mortal. Assim sendo, as comunidades devem estar preparadas para fazer face a possíveis problemas sanitários.

“Há um outro agente patogénico emergente com um potencial mais mortal, por isso a comunidade internacional deve prepara-se para a possibilidade de surgirem novas pandemias”, afirmou recentemente o Director Geral da OMS,  Tedro Adhanom Ghebreyesus, acrescentando que “quando chegar a próxima pandemia, devemos estar preparados para responder de forma decisiva, colectiva e equitativa”. 

Segundo a OMS, as pandemias estão longe de ser a única ameaça que a humanidade enfrenta, sendo necessário que líderes mundiais estabeleçam estratégias para enfrentar novos desafios.

“ A pandemia teve um custo elevado para a saúde mental”. Muitos dos nossos próprios funcionários, tal como muitos profissionais de saúde em todo o mundo, experimentaram um grave stress e esgotamento. A pandemia apresentou-nos desafios sem precedentes”, acrescentou.

Além disso, a OMS alerta para a ameaça de outra “variante emergente da covid-19”, que provocaria “novas ondas de doenças e mortes”.

“A pandemia tirou-nos do rumo, mas mostrou-nos o porquê de os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável devem continuar a ser a nossa estrela norte, devemos persegui-los com a mesma urgência e determinação com que combatemos a pandemia”, sublinha.

Num outro desenvolvimento, dias depois de afirmar que o mundo não está preparado para a próxima pandemia, Ghebreyesus avisou que o momento de iniciar essa preparação “é agora”.

“O momento de se preparar para a próxima pandemia é agora, não quando ela chegar”, escreveu Ghebreyesus na sua rede social X (antigo Twitter).

O alerta surge depois, de nos últimos dias, a ‘Doença X’, que poderá ser a futura pandemia, entrar no centro da discussão. A OMS já avisou, inclusive, que esta “poderá provocar 20 vezes mais mortes do que a pandemia do coronavírus”.

A hipotética ‘Doença X’ foi um termo cunhado pela OMS em 2018 para se referir ao conhecimento de uma epidemia internacional grave provocada por um agente patogénico ainda desconhecido, capaz de afectar os humanos – quer seja uma nova estripe do coronavírus, como foi o caso do SARS-CoV-2, do vírus influenza, ou um novo vírus de origem animal.

Nesse mesmo ano, foi incluída na lista da OMS, entre as doenças prioritárias. Além da ‘Doença X’, constam nesta lista a Covid-19, o vírus ébola, o vírus zika, a febre hemorrágica da Crimeia-Congo, a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

Em Novembro de 2022, a OMS criou um grupo com mais de 300 cientistas para identificar agentes patogénicos que poderiam provocar futuras pandemias, com o foco na ‘Doença X’.

Diante destes alertas, o Observatório Cidadão para Saúde, que assistiu e reportou várias mortes pala Covid-19, chama atenção do Governo, através do Ministério da Saúde, para que não ignore os alertas da OMS, preparando-se para a possível pandemia. Ou seja, as autoridades de saúde devem trabalhar para evitar que as novas pandemias sejam mais trágicas que a Covid-19.

De acordo com o OCS, o MISAU deve mobilizar mecanismos de resposta a todos os níveis, envolvendo outros sectores, como Ministério das Obras Públicas e  Recursos Hídricos, os municípios, entre outros, para a melhoria das infra-estruturas hospitalares, o saneamento do meio, o acesso à água, a disponibilização de medicamentos nas unidades sanitárias, as condições de internamento, para bom funcionamento dos hospitais. (OCS)

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