A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) – em representação dos enfermeiros, técnicos de laboratório, motoristas e outros profissionais do sector da saúde – garantiu nesta segunda-feira que os seus membros não retomarão a greve nos próximos 15 dias, como forma de continuar a privilegiar o diálogo com o governo para a resolução dos problemas da classe.  

O período de suspensão da greve dos profissionais de saúde terminou no domingo (05 de Novembro). Por outro lado, há duas semanas, os médicos residentes do Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária de Moçambique, ameaçaram deixar de fazer horas extraordinárias por falta de pagamento.

APSUSM referira na altura que a decisão da suspensão da greve, que vinha decorrendo há mais de um mês, resultava de um apelo feito pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, para que se privilegiasse as conversações.

De acordo com o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, visto que ainda decorrem negociações com o governo, através do Ministério da Saúde (MISAU), não há espaço para que se retome a greve, tendo em conta as manifestações que decorrem em quase todo o país em protesto aos resultados eleitorais que atribuem vitória ao partido Frelimo, em 64 autarquias. As manifestações em alusão são levadas a cabo pela Renamo, maior partido da oposição em Moçambique.

 Por enquanto, afirma o presidente, a APSUSM decidiu em não retomar a greve para não ser confundida com os grupos partidários que têm marchado em contestação aos resultados das eleições de 11 de Outubro, anunciados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

“Para não misturar as nossas inquietações com as reivindicações levantadas no âmbito das eleições, vamos aguardando pacificamente nos nossos postos de saúde até que a situação se normalize. Depois da pausa, poderemos dar destino às nossas reivindicações”, referiu.

Neste contexto, Muchave exorta a todos profissionais de saúde, principalmente aos motoristas, técnicos administrativos, auxiliares de serviços e especialistas em saúde, a pautarem pela serenidade, vigilância, humildade e solidariedade.

“Exortamos aos profissionais para que se mantenham nos seus locais de trabalho, aguardando as novas informações que poderão nascer na base dos resultados a serem alcançados através do diálogo”, Muchave afirmou.  

O presidente da APSUSM encorajou igualmente os profissionais de saúde a continuarem a trabalhar arduamente, mesmo debatendo-se com vários problemas associados ao custo de vida que assola o país.  

Apesar das dificuldades, de acordo com Muchave, a missão dos profissionais de saúde é salvar vidas, por isso “neste momento que se aproxima a quadra festiva, os profissionais são chamados a estarem em prontidão para fazer jus ao juramento do seu profissionalismo.”

O presidente da APSUSM revelou ainda que os consensos até então alcançados correspondem a 45 porcento, uma vez que se disponibilizou material médico-cirúrgico e outros equipamentos relevantes para o tratamento de doentes em hospitais de referência.

Muchave destacou como principal avanço a entrega, recentemente, de um aparelho de ressonância magnética ao Hospital Central da Beira, esperando-se que extingam as transferências de pacientes para outros pontos com os mesmos serviços “eliminando-se, desta forma, os altos custos resultantes dessas movimentações.”

No que toca a mudanças de carreira e enquadramento dos profissionais de saúde no contexto da Tabela Salarial Única (TSU) na função pública, de acordo com Muchave, “há progressos resultantes do diálogo em curso com Executivo para a melhoria de condições de trabalho.”

No entanto, sublinhou Muchave, persistem problemas associados à falta de condições de internamento nos hospitais a nível do país.

“A falta de alimentação para os doentes internados e a insuficiência de medicamentos para os pacientes constituem, também, outras inquietações que ainda não foram respondidas pelo Governo, daí que a associação não suspende definitivamente a greve por querer ver estas questões resolvidas”, disse. 

Neste contexto, argumentou a fonte, a APSUSM, a partir desta terça-feira, iniciará um trabalho de fiscalização nas unidades sanitárias para avaliar as condições de trabalho. Dependendo dos resultados obtidos, a APSUSM reunir-se-á em assembleia-geral para decidir os passos subsequentes.

As reivindicações da APSUSM, assim como as da Associação Médica de Moçambique (AMM) incluem melhores condições de trabalho, melhoria salarial, assim como melhores condições hospitalares para o internamento de pacientes no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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