O Observatório Cidadão para Saúde (OCS) defende maior cooperação entre Organizações da Sociedade Civil (OSC), Ministério da Saúde (MISAU), profissionais de saúde e parceiros de cooperação para a resolução dos problemas que apoquentam o Sistema Nacional da Saúde (SNS), após ter-se assistido a uma ameaça de retorno à grave por parte dos médicos residentes no Hospital Central de Maputo, o maior centro hospitalar de Moçambique. Leia na íntegra o artigo sobre a amaça à greve: https://www.observatoriodesaude.org/a-partir-de-01-de-novembro-nao-pagamento-de-horas-extraordinarias-obriga-medicos-residentes-do-hcm-a-paralisar-actividades/  

De acordo com António Mate – coordenador do pilar de Participação Pública no OCS – que falava à margem da IX Feira Anual de Saúde que teve lugar na sexta-feira última (10 de Novembro), em Maputo, a coordenação entre viários pilares sociais é relevante para a mobilização de mecanismos de melhoria do sector da saúde.

“A IX Feira Anual de Saúde constitui um espaço frutífero para aproximar cada vez mais Organizações da Sociedade Civil, o Governo através do Ministério da Saúde, profissionais de saúde e parceiros de cooperação”, disse Mate.

De acordo com Mate, as Feiras de Saúde são importantes porque juntam expositores que continuamente debruçam-se sobre os grandes desafios e oportunidades patentes na agenda do serviço nacional de saúde.

“Este tipo de evento serve para envolver organizações do Governo que operam na área de saúde, utentes, usuários de serviços de saúde e público no geral. Todos estes intervenientes são convidados a apreciar os trabalhos, as pesquisas e as acções desenvolvidas pelas Organizações da Sociedade Civil”, disse o pesquisador, adiantando que “os participantes beneficiam igualmente de diagnósticos de saúde e consultas diversas, normalmente prestadas dentro da rede pública de saúde e não só.”

 O evento, que decorreu no âmbito das comemorações  do 136o aniversário da Cidade de Maputo, foi organizado pela NAIMA+, uma rede de organizações não governamentais internacionais que trabalham na área de saúde em Moçambique.

O OCS, sendo uma das organizações que esteve na organização do evento, apresentou ao público o seu reportório de pesquisas levadas a cabo até então, realçando a necessidade de se envidar esforços para a melhoria dos serviços básicos no SNS.

Mate destacou também a partida de futebol como um elemento crucial para a interacção entre os participantes do evento, dado que houve engajamento e envolvimento entre vários actores do sector de saúde, em conversas informais sobre o funcionamento do sector da saúde.  

Para Mate, esta actividade serviu igualmente para fomentar o diálogo fora dos gabinetes, uma estratégia frutífera para “o estabelecimento de parcerias presentes e futuras.”A Feira – que juntou várias organizações da sociedade civil e instituições públicas, na Praça da Independência – contou com a participação dos munícipes, que se deram ao trabalho de apreciar e usufruir alguns serviços, para além de celebrar a passagem de mais um aniversário da capital moçambicana.

Esta é a segunda edição em que OCS participa da Feira que, este ano, decorreu sob o lema: “Juntos Somos Mais Fortes na Construção de Comunidades Saudáveis”, que alerta sobre a necessidade de se dinamizar a inclusão nos serviços de saúde.

Expositores congratulam iniciativa

Durante a feira, o Observatório do Cidadão para Saúde entrevistou outras organizações que estiveram no local. De acordo com as organizações em alusão, evento serviu para facilitar a troca de impressões entre as organizações que actuam no sector de saúde em Moçambique, assim como foi possível partilhar experiências e desafios.

O Centro de Colaboração em Saúde (CCS) esteve a prestar alguns serviços de saúde como testes rápidos de glicemia e medição de pressão, assim como o rastreio de tuberculose a todos os visitantes que procuraram estes serviços.

“Estivemos aqui a rastrear pessoas com possíveis sintomas e sinais sugestivos de tuberculose, medimos a glicémia em todos pacientes que cá estiveram. Medimos, também, a pressão arterial. Os colegas exerceram suas funções como profissionais de saúde”, afirmou Rita Armando, técnica de medicina geral no CCS.

Por sua vez, Gertrudes Carmen, oficial de programas da Pathfinder Internacional, disse que a Feira serviu para que várias organizações trocassem impressões sobre as actividades que têm levado a cabo sobre o sector da saúde. A Pathfinder expôs materiais relativos à saúde sexual e reprodutiva, direitos humanos, aborto seguro.

“A feira ajudou a elucidar alguns munícipes sobre o uso do planeamento familiar e preservativo feminino”, disse Carmen.

Por seu turno, Maura de Almeida, colaboradora do Jhpiego – uma organização não governamental internacional que apoia vários projectos sobre saúde em Moçambique, nomeadamente; Violência Baseada no Género (VBG), unidades de tratamento, tuberculose entre outras – disse que a sua organização já está habituada a participar da feira anual de saúde.

“Todos os anos, sempre preparamo-nos para este evento. Em coordenação com a NAIMA+, produzimos materiais como brochuras, folhetos, catálogos, agendas, camisetas dos nossos projectos ou subprojectos para apreciação e distribuição. No entanto, cada ano é um ano, sempre aparecem organizações novas, com projectos diferentes e aprendemos coisas novas e trocamos sempre experiências”, vincou.

A Jhpiego, no âmbito da IX feira anual de saúde, ofereceu os serviços de testagem do cancro do colo do útero, cancro da mama, promoção de serviços de ITS`s, material para auto-testagem do HIV, serviços de saúde materno infantil, saúde sexual e reprodutiva, planeamento familiar e oferta de contraceptivos.

O OCS ouviu também Açucena Gujamo, colaboradora do Oásis Moçambique – uma organização que trabalha directamente com a comunidade em assuntos ligados à saúde preventiva, violência baseada no género, empoderamento dos jovens, educação e assistência médica sobre o tratamento antirretroviral.

De acordo com Gujamo, a IX edição da feira de saúde serviu para desenvolver a união e a interacção entre as ONGs.

Feira trouxe benefícios ao público

Por outro lado, alguns munícipes entrevistados pelo Observatório do Cidadão para Saúde felicitaram a iniciativa, alegando que a mesma trouxe inúmeros benefícios ao público, em especial aos munícipes de Maputo.

Alberto Machaeie, um dos beneficiários dos serviços oferecidos na Feira, disse que a mesma foi positiva porque permitiu a realização de “testagens rápidas de HIV, tuberculose, glicemia e cancro do útero. Para além dos serviços de saúde, a Feira ofereceu emissão de bilhetes de identidade, cartões de nascimento e passaportes”, referiu.

Por seu turno, André Tembe, também entrevistado pelo OCS, salientou que a iniciativa de realizar a feira de saúde no feriado foi boa, para que as pessoas pudessem conhecer ainda mais as actividades.

“Certamente, nem todos conhecíamos os trabalhos de certas ONGs que, por sinal, já estão a actuar há bastante tempo no país e que têm feito muitos trabalhos em prol da saúde das comunidades. A feira deve continuar no mesmo ritmo nos próximos anos, mas deve-se olhar mais para sua divulgação, para se alcançar mais pessoas”, frisou.

De uma forma geral, durante a Feira, foram oferecidos vários serviços, tais como: rastreio de hipertensão arterial, diabetes, tuberculose e malária; aconselhamento e testagem ao HIV; sensibilização para o rastreio do colo do útero e da mama.

Outros serviços, prestados no evento, têm que ver com o diagnóstico laboratorial com Point-of-Care hemoglobina glicada; cuidados para VBG; aconselhamento pré e pós-parto; vacinação contra Covid-19; telemedicina como alternativa de saúde, entre outros.

Para além dos serviços de saúde, também estiveram disponíveis serviços de emissão de Bilhetes de Identidade, passaporte, entre outros.

FMO Realiza Workshop de Socialização e Análise da Proposta do PESOE 2024

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), plataforma de Organizações da Sociedade Civil focalizadas e interessadas na área de Gestão de finanças públicas, em parceria com a Assembleia da República, UNICEF e a Embaixada da Finlândia em Moçambique, realizam, entre os dias 17 e 18 de Novembro em curso, um Workshop de socialização e análise da proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2024, com enfoque nos sectores sociais.

O evento tem o objectivo de apresentar e socializar a proposta do PESOE 2024, com os parlamentares e a sociedade civil; recolher contribuições para a melhoria da proposta e do alinhamento com o Plano Quinquenal do Governo (PQG); assim como sensibilizar e dar subsídios aos deputados da Assembleia República sobre o panorama da protecção social, criança, mulher e rapariga nos Planos e Orçamentos, com vista a assegurar a inclusão e priorização de acções específicas e sensíveis a estes grupos vulneráveis.

Igualmente, tem como finalidade partilhar experiências para o fortalecimento da gestão das finanças públicas e prossecução da agenda de desenvolvimento de Moçambique. 

O evento contará com a participação de deputados e assistentes da 2ª e 3ª comissão da Assembleia da República, representantes da Comissão da Agricultura, Economia e Ambiente, gabinete de Imprensa da Assembleia da República, Ministério da Economia e Finanças, Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, Ministério da Saúde, parceiros de cooperação, entre outros.

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