No dia 31 de agosto, celebrou-se o Dia Internacional de Conscientização sobre Overdose, um termo médico que descreve as alterações que ocorrem no organismo quando este é exposto a uma quantidade excessiva de drogas, medicamentos ou outras substâncias. A overdose tem sido uma preocupação crescente, especialmente com os dados alarmantes apresentados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que estima que o uso de drogas seja responsável por mais de 500 mil mortes em todo o mundo. Especificamente em relação à overdose, foram registradas cerca de 110 mil mortes apenas em 2023.

Para discutir esse grave problema e explorar estratégias de prevenção, a organização UNIDOS, parceira do Observatório Cidadão para Saúde (OCS), realizou, no dia 2 de setembro, em colaboração com a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Centro Internacional para Saúde Sexual Reprodutiva em Mocambique (ICRH-M) e o Conselho Nacional de Combate ao Sida, um debate que envolveu Pessoas que Usam Drogas (PUDs), parceiros estratégicos e especialistas em Redução de Danos.

Durante o evento, as organizações da sociedade civil enfatizaram a necessidade de intensificar ações de advocacia para conscientizar as comunidades sobre o impacto das overdoses e influenciar o Governo, através do Ministério da Saúde (MISAU), para garantir a disponibilidade de insumos essenciais para reverter o quadro atual. Essas ações são vistas como fundamentais para a implementação efectiva do plano de redução de danos para usuários de drogas em Moçambique.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam o uso da  Naloxone   como uma medida eficaz para reduzir mortes por overdose em todo o mundo. Ambas as instituições recomendam o treinamento de profissionais de saúde, policiais, familiares, agentes comunitários e as próprias PUDs na gestão de overdose, capacitando-os a prestar os primeiros socorros em situações de emergência. Durante o encontro, foi destacado que a  Naloxone, apesar de ter poucos efeitos colaterais, só está disponível em Moçambique na forma injetável e em algumas unidades de saúde.

Nesse contexto, a sociedade civil defende a introdução da  Naloxone  nasal no país como uma solução para salvar vidas nas comunidades, onde a maioria das overdoses ocorre. A disponibilidade da versão oral do medicamento evitaria a perda de tempo na busca por atendimento em unidades de saúde, potencialmente salvando mais vidas.

No âmbito das atividades que marcaram o Dia Internacional de Conscientização sobre Overdose, foram realizadas rodas de conversa com beneficiários, palestras e debates, além de um mural onde os participantes deixaram mensagens e nomes de amigos e familiares que perderam a vida devido à overdose. Testemunhos de pessoas que sobreviveram a uma overdose também foram compartilhados, criando um espaço de reflexão e solidariedade.

Houve, ainda, momentos culturais, jogos de perguntas e respostas sobre overdose e outras atividades educativas.

Além dessas ações, no contexto do programa United For Prevention, a sociedade civil tem defendido a expansão do tratamento com metadona em Moçambique, uma iniciativa liderada pelo Observatório Cidadão para a Saúde. Vide os links: (https://www.observatoriodesaude.org/sociedade-civil-defende-distribuicao-alargada-de-metadona-em-todo-pais/); (https://www.observatoriodesaude.org/tratamento-com-metadona-reduz-risco-de-contaminacao-pelo-hiv-nas-pessoas-que-usam-drogas/); (https://www.observatoriodesaude.org/clinica-de-metadona-de-mavalane-pronta-para-entrar-em-funcionamento/).

Atualmente, o único centro de tratamento com metadona no país está localizado no Centro de Saúde do Alto Maé, em Maputo, com capacidade para tratar 200 pessoas. No entanto, o centro já está atendendo 206 pessoas, incluindo mulheres grávidas e pacientes com tuberculose resistente.

As organizações reconhecem os esforços do Governo em colaborar com a sociedade civil para expandir o acesso à metadona, mas exigem que outros suplementos complementares estejam disponíveis para minimizar impactos negativos na saúde e bem-estar dos beneficiários, além de promover sua inserção social. No contexto do programa nacional de redução de danos, esses insumos são essenciais para garantir o acesso a serviços e terapias de saúde eficientes e adequados, respeitando o princípio de não deixar ninguém para trás. (OCS)

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